quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O historiador Flávio Josefo falou sobre Jesus?


ARGUMENTO: “O historiador Flávio Josefo jamais falou em Jesus. A menção ao nome de Jesus nos escritos de Josefo é uma falsificação”.



A existência do Jesus histórico é pouco questionada até mesmo por ateus. Alguns especialistas consideram a existência do Jesus histórico como algo inquestionável (Fonte).
Eles não se baseiam somente em fontes judaicas, mas em fontes pagãs também. Sabemos também que Jesus foi citado por vários historiadores e escritores seculares, tais como Tácito (56-120 d.C.), Plínio o Moço (61-114 d.C.), Tertuliano (155-220 d.C.) e até nos Talmudes Judeus. 
Um dos historiadores antigos mais famosos a falar sobre Jesus foi Flávio Josefo, que viveu ainda no primeiro século. Ele nasceu no ano 37 ou 38 e participou da guerra contra os romanos no ano 70. Josefo escreveu o seguinte em seu livro Antiguidades Judaicas:

"(O sumo sacerdote) Hanan reúne o Sinedrim em conselho judiciário e faz comparecer perante ele o irmão de Jesus cognominado Cristo (Tiago era o nome dele) com alguns outros" (Flavio Josefo, Antiguidades Judaicas, XX, p.1, apud Suma Católica contra os sem Deus, dirigida por Ivan Kologrivof. Ed José Olympio, Rio de Janeiro 1939, p. 254).

No mesmo livro, Flávio Josefo também escreveu :

"Foi naquele tempo (por ocasião da sublevação contra Pilatos que queria servir-se do tesouro do Templo para aduzir a Jerusalém a água de um manancial longínquo), que apareceu Jesus, homem sábio, se é que, falando dele, podemos usar este termo - homem. Pois ele fez coisas maravilhosas, e, para os que aceitam a verdade com prazer, foi um mestre. Atraiu a si muitos judeus, e também muitos gregos. Foi ele o Messias esperado; e quando Pilatos, por denúncia dos notáveis de nossa nação, o condenou a ser crucificado, os que antes o haviam amado durante a vida persistiram nesse amor, pois Ele lhes apareceu vivo de novo no terceiro dia, tal como haviam predito os divinos profetas, que tinham predito também outras coisas maravilhosas a respeito dele; e a espécie de gente que tira dele o nome de cristãos subsiste ainda em nossos dias". (Flávio Josefo, História dos Hebreus, Antiguidades Judaicas, XVIII, III, 3 , ed. cit. p. 254). (1, pg. 311 e 3).

O primeiro texto que citei (o que fala sobre a morte de Tiago, irmão de Jesus), é tido como legítimo pela maioria dos especialistas. No entanto esse segundo texto é considerado uma interpolação, ou seja, uma falsificação. Os críticos dizem isso porque consideram improvável que Josefo, como um judeu não cristão, tivesse dito tais coisas a respeito de Jesus. Para mais detalhes assista a esse vídeo:



De qualquer forma a resposta é SIM, Josefo falou sobre Jesus em seu livro.

6 comentários:

  1. “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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  2. “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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  3. acho bastante equivocado relacionar a dúvida quanto à autenticidade do 'testimonim flavianius' com ateísmo.
    se fosse bem informado, teria conhecimento que no decorrer da historia, foram cristãos os que declararam o 'tf' ser uma fraude, ou mais recentemente, uma interpolação do século iv.
    de qualquer maneira, para uma passagem tão importante para o cristianismo, é no mínimo estranho que todos os citados abaixo nunca a tenham mencionado, apesar de serem teólogos, santos, patriarcas da igreja:

    [são] crisóstomo nunca citou esta passagem, apesar de dedicar muito de seu trabalho a josefo.

    a primeira citação foi feita por eusebio, no seu 'historia eclesiástica', justamente no século iv.

    além de crisóstomo [abolirei o título são ou santo], outros teólogos e historiadores lançam suspeita sobre a presença do 'tf' no texto de josefo.
    justino [c.100-165d.c.] teólogo, debruçou-se sobre as obras de josefo, nenhuma menção ao 'tf'.

    teófilo [180dc] nenhuma menção ao 'tf'

    irineu [c.120/140-200dc] compilador dos quatro evangelhos. nenhuma menção ao 'tf'

    clemente de alexandria [c150-215dc] teólogo e escritor influente, chefe da escola de alexandria, nada sobre o 'tf'

    orígenes [c185-254dc] não menciona o 'tf'. pelo contrario, afirma que josefo não considerava jesus o messias.

    hipólito [c170-235dc] nada sobre o 'tf'

    minucio felix [250dc] apologista latino do cristianismo, nada sobre o 'tf'

    anatolio [230-280dc] nada sobre o 'tf'

    mais tardios, o que indica que mesmo no século ix ainda haviam cópias do antiguidades judaicas sem o 'tf':
    metodio [séc ix] nenhuma menção ao 'tf'

    fócio [c820-891] outro patriarca de constantinopla, escritor de artigos sobre josefo. nenhuma menção ao 'tf'.

    não me parece delirio. se for, não é de ateus.

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    1. Realmente é improvável que Josefo considerasse Jesus o Messias, como Orígenes mencionou (https://defendendoafecrista.wordpress.com/2015/12/13/os-escritos-de-flavio-josefo-sobre-jesus-cristo/).
      Portanto, os Pais da Igreja não tinham motivo nenhum para citar Josefo como fonte extra-bíblica para a existência histórica de Jesus, visto que eles já criam nisso. Inclusive, alguns Pais da Igreja conheceram os apóstolos e sabiam muito bem da existência inquestionável de Jesus (veja aqui: https://defendendoafecrista.wordpress.com/2016/10/18/quais-pais-da-igreja-conheceram-os-apostolos/).
      Essa citação se tornou importante para os cristãos séculos mais tarde quando os neoateus começaram a dizer que Jesus nunca existiu. Enfim, ela não serve para provar a messianidade de Jesus, mas meramente a sua existência histórica. Tanto é que o próprio Orígenes escreveu um livro inteiro para refutar Celso, que também falou sobre Jesus (aqui: https://defendendoafecrista.wordpress.com/2016/06/15/os-escritos-de-celso-sobre-cristo-e-os-cristaos/). Assim, percebemos que Orígenes não tinha a intenção de provar a existência de Jesus citando Celso (como tampouco tentou fazer ao citar Josefo), mas apenas refutar as suas blasfêmias.

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  4. Hoje acadêmicamente está provado que Jesus existiu.

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  5. Josefo realmente escreveu isso?

    Resumidamente você começa seu texto dizendo: No Livro XX de Antiguidades Judaicas, Flávio Josefo, historiador do primeiro século, fez referência à morte de “Tiago, irmão de Jesus, chamado Cristo”.

    Bem, muitos eruditos acreditam que essa declaração é autêntica. Mas alguns questionam a autenticidade de outra declaração sobre Jesus nessa mesma obra. Esse trecho, conhecido como Testimonium Flavianum, diz:


    “Nesse mesmo tempo, apareceu Jesus, que era um homem sábio, se é que podemos considerá-lo simplesmente um homem, tão admiráveis eram as suas obras. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas também por muitos gentios. Ele era o Cristo. Os mais ilustres dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem. Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas haviam predito, dizendo também que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, os quais vemos ainda hoje, tiraram o seu nome.” — História dos Hebreus, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, 772.


    Desde o fim do século 16, uma forte controvérsia tem dividido as pessoas que acreditam que esse texto é autêntico e aquelas que questionam se foi Josefo que o escreveu. Serge Bardet, historiador francês e especialista em literatura clássica, tentou esclarecer detalhes desse debate que estiveram obscuros nos últimos quatro séculos. Ele publicou sua pesquisa num livro chamado Le Testimonium Flavianum—Examen historique considérations historiographiques (O Testimonium Flavianum — um Estudo Histórico com Considerações Históricas).


    Josefo não era um autor cristão. Era um historiador judeu; assim, o motivo da controvérsia é praticamente por causa do uso do termo “o Cristo” para Jesus. Com base em suas pesquisas, Bardet afirmou que esse título corresponde “em todos os sentidos ao costume de se usar em grego o artigo [definido] para nomes de pessoas”. Bardet acrescentou que, de um ponto de vista judeo-cristão, “o uso do termo Christos por Josefo além de não ser uma impossibilidade” é uma pista que “os críticos em geral cometeram o erro de desconsiderar”.


    Será que o texto foi enfeitado mais tarde por um falsificador imitando o estilo de Josefo? Com base em evidências históricas e textuais, Bardet chegou à conclusão de que uma imitação assim seria praticamente impossível. O falsificador precisaria ter “um talento para imitação quase perfeito em toda a antiguidade”, em outras palavras, só se fosse Josefo plagiando o próprio Josefo.


    Então, por que todo esse alvoroço? Ao identificar a raiz do problema, Bardet disse que tudo começou “simplesmente porque dúvidas foram levantadas sobre o Testimonium — algo que não acontece com a maioria dos textos antigos”. Ele acrescentou que as opiniões sobre esse assunto ao longo dos séculos eram baseadas mais em “outras intenções” do que na análise lógica do texto, que oferece todos os motivos para se crer em sua autenticidade.


    Ainda não sabemos se a análise de Bardet mudará a opinião dos eruditos sobre o Testimonium Flavianum. Mas ela já convenceu Pierre Geoltrain, um renomado especialista em judaísmo helenístico e cristianismo primitivo. Por muito tempo, ele havia encarado o Testimonium como um acréscimo e até zombava de quem acreditava em sua autenticidade. Mas ele mudou sua opinião por causa da obra de Bardet. Geoltrain recentemente disse que “ninguém deveria a partir de agora ousar chamar esse escrito de Josefo de ‘testemunho improvável’”.

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