sábado, 12 de dezembro de 2015

O "argumento" do Dragão na Garagem



O argumento do Dragão na Garagem foi criado por Carl Sagan em seu livro "O Mundo Assombrado por Demônios - a ciência vista como uma vela no escuro". O argumento funciona mais ou menos assim:

ATEU: Tenho um dragão invisível em minha garagem e te desafio a provar que ele não existe.

TEÍSTA: Onde ele está? Não vejo nada.

ATEU: Esqueci de avisar que ele é invisível

TEÍSTA: Vou jogar farinha no chão para ver se vejo as pegadas dele.

ATEU: Não vai funcionar, pois ele flutua no ar.

TEÍSTA: E se eu usar um detector de calor?

ATEU: Não vai adiantar também, pois ele é desprovido de calor

TEÍSTA: Então vou jogar tinta nele, para torná-lo visível

ATEU: Também não vai funcionar, pois ele é incorpóreo.

O objetivo do argumento é criar um paralelo entre Deus e o tal "dragão", e mostrar para o teísta o quanto é impossível verificar a existência de Deus, pois as alegações religiosas sobre Deus não podem ser testadas, são imunes a refutações.

Os erros no argumento

Inversão do ônus da prova

O ateu afirma que existe um dragão na garagem dele, e pede para que o teísta prove que o tal dragão não existe. Já começou errado! Se o ateu está afirmando que tem um dragão na garagem dele, o ônus da prova pertence a ele, e não do teísta! O ônus da prova pertence a quem faz a afirmação, então o ateu é quem tem que provar que esse dragão existe, pois ele afirmou que existe.

Inversão de planos

Fazer uma analogia entre um ser FÍSICO por definição (dragão), e um ser METAFÍSICO (Deus), é um erro crasso, uma falácia de inversão de planos.
Apesar de os dragões serem seres mitológicos, eles sempre foram historicamente representados como seres do mundo físico, que convivem com outros seres do mundo físico, como os humanos, por exemplo. Dessa forma, a suposta existência desse dragão na garagem do ateu deveria ser verificada de forma empírica, com as ferramentas da ciência.
Deus, por sua vez, é metafísico e está fora do escopo analítico da ciência. Por isso toda discussão sobre ele fica no campo da filosofia, que está um nível acima do científico.

Sem contar que existem inúmeros livros de cunho filosófico argumentando racionalmente sobre a possibilidade da existência de Deus. Mas quanto ao dragão de Sagan...






7 comentários:

  1. Só existem esses libros argumentando filosoficamente a existência de Jeová (e outros deuses) porque estes tem maior difusão de suas ideologias. Se um dia mais pessoas acreditarem no dragão, irão criar mais livros sobre ele para estuda-lo. Tanto dragões quanto deuses são seres fantásticos, dragões são seres físicos em alguns contos, mas tbm são seres espirituais em outros. Afinal, como vc pode ter tanta certeza de q o dragão não está lá, mas afirma que sua divindade está?

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    1. "Afinal, como vc pode ter tanta certeza de q o dragão não está lá, mas afirma que sua divindade está?"

      Exatamente porque é minha divindade! E eu acredito em quem eu quiser. Mas boa sorte na busca de novos seguidores para o Dragão dos ateus kkk Só será muito difícil encontrar grandes cientistas como Isacc Newton, Max Planck, Galileu, Einstein e muitos e muitos outros que revolucionaram toda a ciência física, mas citaram de alguma forma esse Deus sobrenatural. Quando o Dragão dos ateus tiver pelo menos um desses, aí começa a jornada. Entende porque não é só filosófico a crença nesse Deus?

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    2. Filosofia se vale de plausibilidade. Mostre ser plausível filosoficamente a existência do dragão e aí nós analisaremos. Deus é questão central na Filosofia e na Ética; o dragão, não. Mesmo para filósofos ateus, o tema Deus não pode ser negligenciado, fato este que, por si só, já mostra que Deus é um conceito robusto, que pode se basear em deduções lógicas. É perfeitamente racional crer que o universo é fruto de uma causa atemporal, incausada e necessária (atemporal/incausada porque sendo também a causa do tempo, está fora dele e não existe para esta causa a ideia temporal de início e fim; necessária porque é uma impossibilidade lógica a existência de regressões infinitas para o passado no mundo natural). Além disso deve ser imaterial (pois é a causa da matéria), não espacial (pois é a causa do espaço), pessoal (por querer voluntariamente criar algo ex nihilo) e muito poderoso.

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  2. Freu também debateu com estes argumentos em:
    http://saudepublicada.sul21.com.br/2015/08/24/trajetoria-ateista-de-sigmund-freud-1856-1939-4/

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  3. E se eu mudar a palavra Dragão para "xaxuiaxalaksia"?Meu "xaxuiaxalaksia" é Metafísico, portanto "está fora do escopo analítico da ciência".Seguindo essa lógica o "xaxuiaxalaksia" tem a mesma veracidade que o Deus Bíblico.

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    1. Dessa forma, meu "xaxuiaxalaksia" fica imune a refutações

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    2. Bom. Depende. Se houver provas arqueológicas,históricas,cosmológicas,literárias podemos dizer que pode haver algum respaldo.
      Até lá você é livre pra acreditar no que quiser, inclusive na fábula da macroevolução.

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